O presidente da Argentina, Javier Milei, apresentou nesta quinta-feira (30) um projeto de reforma do Banco Central que ele considera um dos mais significativos dos últimos 91 anos. Durante um pronunciamento de 14 minutos, Milei declarou que a proposta visa “pôr fim à fraude de falsificar dinheiro para financiar a classe política” e garantir que o país não possa aprovar um orçamento deficitário. A mensagem foi gravada na tarde de quinta e exibida às 20h (horário de Brasília).
Milei, que durante sua campanha já havia sugerido destruir o Banco Central com um martelo, se cercou de aliados para divulgar a proposta, incluindo sua irmã Karina Milei, o chefe de gabinete Diego Santilli, e o ministro da Economia, Luis Caputo. O projeto, que deve ser apresentado ao Congresso nos próximos dias, é parte de uma ofensiva mais ampla do presidente para implementar reformas estruturais em seu governo.
Desde o início do mês, Milei tem se reunido com legisladores e publicado artigos sobre a reforma em veículos de comunicação, como o Clarín, um dos principais jornais da Argentina. Em seu discurso, ele utilizou uma retórica agressiva, acusando a classe política de “voracidade e paixão por roubar” e afirmando que o Banco Central foi criado a partir de uma fraude.
A proposta de Milei inclui a revogação da reforma de 2012, feita por Cristina Kirchner, que, segundo ele, enfraqueceu a independência do Banco Central e facilitou o financiamento do déficit fiscal. O presidente criticou o que chamou de “aberração de cinco objetivos para um único instrumento”, referindo-se às atuais missões do Banco Central, que incluem promover a estabilidade monetária e financeira, além de garantir o emprego e o desenvolvimento econômico com equidade social.
Milei enfatizou que a reforma visa simplificar os objetivos do Banco Central e garantir que a inflação, um dos principais problemas econômicos do país, seja controlada. Ao longo dos últimos anos, a Argentina enfrentou um aumento significativo nos preços, e a proposta de Milei é vista como uma tentativa de reverter essa tendência e restaurar a confiança na economia argentina. Com essa reforma, o presidente espera não apenas combater a corrupção, mas também estabilizar a economia e criar um ambiente mais favorável para investimentos. A expectativa é que a proposta gere debates acalorados no Congresso, onde Milei precisará de apoio para aprovar as mudanças necessárias.




