A psicóloga Cláudia Serathiuk, de Curitiba, tem se dedicado a atender brasileiros que foram lutar na Guerra da Ucrânia. Em sessões online, esses combatentes compartilham experiências de extrema violência e os traumas que enfrentam no front. Cláudia, que é neta de ucranianos, começou a oferecer esse suporte após um pedido de uma ONG que auxilia brasileiros na Ucrânia. Embora não existam dados oficiais sobre quantos brasileiros se juntaram ao Exército ucraniano, estima-se que cerca de 2.000 tenham ido ao conflito, com aproximadamente 200 mortos, segundo informações da comunidade. Até julho, o Itamaraty contabilizava 86 desaparecidos e 33 mortos entre esses voluntários.
A psicóloga já atendeu dez brasileiros que participaram da guerra ou retornaram ao Brasil. No entanto, alguns deles desapareceram, e Cláudia não sabe se pararam de buscar ajuda ou se faleceram. Para ampliar o atendimento, ela formou um grupo de cinco psicólogos, todos sem ascendência ucraniana, para oferecer suporte a familiares de brasileiros que morreram em combate.
Com mestrado em psicologia clínica pela Universidade Federal do Paraná, Cláudia é pesquisadora do Núcleo de Estudos da Ucrânia da USP e membro da Rede Interamericana de Pesquisas em Psicanálise e Política (RedIPPol). Sua experiência com esses atendimentos será a base de sua pesquisa de doutorado, que investigará as motivações que levam jovens brasileiros a se arriscarem em um conflito que não é seu.
Cláudia relata que um dos maiores desafios é ouvir os relatos de devastação e morte que os combatentes compartilham. “As descrições são tão cruéis que eu mal consigo repetir. É nauseante”, afirma. Além disso, ela destaca a dificuldade em convencer os jovens a aceitarem a terapia, já que, em um contexto de guerra, buscar ajuda é muitas vezes visto como um sinal de fraqueza. Aqueles que chegam ao atendimento geralmente estão em estado de colapso emocional ou apresentam sintomas de estresse pós-traumático.



