Post: Alckmin critica tarifas dos EUA e defende legislação trabalhista brasileira

Alckmin critica tarifas dos EUA e defende legislação trabalhista brasileira durante visita à Avibras.
Alckmin critica tarifas dos EUA e defende legislação trabalhista brasileira

O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) se manifestou nesta sexta-feira (24) sobre a nova tarifa imposta pelos Estados Unidos a produtos brasileiros, classificando o argumento de trabalho forçado como descabido. Durante visita à fábrica da Avibras em Jacareí (SP), Alckmin destacou que o Brasil possui uma das legislações trabalhistas mais avançadas do mundo. “Imagine o quanto é descabido isso: o [argumento de] trabalho forçado. O Brasil tem uma das legislações mais avançadas do mundo de proteção aos trabalhadores. Estamos votando o fim da [escala] 6×1”, afirmou ele a jornalistas.

O vice-presidente também ressaltou que o governo brasileiro está comprometido em manter negociações com o Executivo americano e em apoiar os setores afetados pelas novas tarifas. Alckmin informou que o presidente Lula ainda decidirá se o Brasil aplicará a Lei da Reciprocidade Econômica contra os Estados Unidos, afirmando que “o presidente, no momento adequado, vai tomar a decisão. Ela tem um caminho mais longo porque isso envolve audiências públicas”.

As novas tarifas, que começaram a ser aplicadas nesta sexta-feira, são de 12,5% sobre produtos brasileiros e surgem após uma investigação sobre a importação de produtos fabricados com trabalho forçado. Na quarta-feira (22), uma taxa de 25% já havia sido implementada, resultante de uma análise da Seção 301 da Lei de Comércio americana, que investiga práticas comerciais consideradas injustas. Essas tarifas afetam uma ampla gama de itens, incluindo máquinas agrícolas, madeira processada, etanol, papel e vestuário.

De acordo com a Amcham Brasil (Câmara Americana de Comércio para o Brasil), as tarifas de 12,5% impactam aproximadamente US$ 12,5 bilhões em exportações anuais para os EUA. Para 85,3% dessas vendas, que equivalem a US$ 10,7 bilhões, os efeitos serão cumulativos com as tarifas de 25%, resultando em uma taxa total de 37,5%.

Durante a visita à Avibras, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) expressou satisfação pelo acordo firmado entre a empresa de defesa e o Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos, que permitiu a retomada das atividades da companhia. A Avibras, que produz mísseis, foguetes e veículos, havia paralisado suas operações por cerca de três anos devido a uma greve por falta de pagamento.

O acordo estabelece o pagamento da dívida trabalhista em forma de indenização social, acumulada desde 2022, totalizando R$ 230 milhões, conforme informações do sindicato. Essa reabertura das atividades é vista como um passo importante para a recuperação da empresa e para o setor de defesa brasileiro.

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