Post: FMI recomenda autonomia financeira do Banco Central e destaca urgência em relatório

FMI recomenda autonomia financeira ao Banco Central do Brasil em relatório que destaca urgência para aprimorar supervisão do mercado local.
FMI recomenda autonomia financeira do Banco Central e destaca urgência em relatório

Em um relatório divulgado nesta quinta-feira (23), o Fundo Monetário Internacional (FMI) fez uma recomendação urgente ao Brasil: o Banco Central deve ter autonomia financeira e orçamentária para aprimorar sua supervisão sobre o mercado local. Essa proposta está inserida na Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da autonomia financeira do Banco Central, que foi aprovada em 10 de junho pela Comissão de Constituição e Justiça do Senado e agora aguarda votação em plenário. A mudança, que visa separar o Banco Central do Ministério da Fazenda, gerou um debate acirrado entre os servidores da própria instituição, que se dividem em relação ao tema.

A proposta em discussão altera a natureza jurídica do Banco Central, transformando-o em uma entidade pública de natureza especial e também aborda questões relacionadas ao sistema de pagamentos instantâneos, o Pix. Desde que começou a tramitar no Senado em 2023, a proposta enfrenta resistência, especialmente por parte do Partido dos Trabalhadores (PT), mas é apoiada pelo presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo.

O relatório do FMI é parte de uma série de avaliações que o órgão realiza sobre os sistemas financeiros de diversos países. A análise foi elaborada após visitas de funcionários do FMI ao Brasil em dezembro de 2025 e março de 2026, em colaboração com o Banco Mundial. Durante essas visitas, foram realizadas reuniões com autoridades brasileiras e representantes dos setores público e privado, com o intuito de entender melhor o funcionamento do sistema financeiro nacional.

A última avaliação do FMI sobre o Brasil ocorreu em 2018, e o novo relatório conclui que o sistema financeiro local é resiliente a choques adversos, apresentando um sistema interconectado e riscos de liquidez que são considerados administráveis. O FMI também elogiou o sólido programa de supervisão de cibersegurança do país, embora tenha apontado lacunas na supervisão de criptoativos.

No entanto, o relatório destaca que as autoridades brasileiras ainda enfrentam desafios significativos, como restrições de pessoal, falta de proteção jurídica e limitações de autoridade legal. Esses fatores resultam em uma supervisão bancária menos intensa e em uma dependência excessiva de entidades autorreguladoras nos mercados de valores mobiliários. Para resolver essas questões, o FMI recomenda a adoção urgente de medidas que superem as restrições de pessoal nos órgãos supervisores, a concessão de plena autonomia orçamentária ao Banco Central, o fortalecimento da proteção jurídica de seus servidores e a aprovação de uma legislação modernizada para a resolução de instituições bancárias.

Em resposta ao relatório, o Banco Central manifestou satisfação com a publicação e considerou que as análises contribuem para o debate sobre o aprimoramento contínuo das políticas econômicas e financeiras do Brasil. O Banco Central agradeceu aos corpos técnicos do FMI e do Banco Mundial pela qualidade dos trabalhos realizados e pelo diálogo construtivo mantido durante todo o processo. Essa interação é vista como fundamental para o desenvolvimento de um sistema financeiro mais robusto e eficiente, que possa atender às demandas crescentes do mercado e da população brasileira.

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