O mercado americano absorve três quartos dos produtos exportados pelo Canadá, o que torna o anúncio de um novo tarifaço de 50% contra o país uma questão de grande preocupação. O primeiro-ministro Mark Carney, que assumiu o cargo em um momento delicado, anunciou que seu interlocutor na Casa Branca concordou em intensificar as negociações antes de 19 de agosto, data prevista para a implementação das novas tarifas. Essa situação coloca o Canadá em uma posição vulnerável, uma vez que a economia do país é fortemente dependente do comércio com os Estados Unidos.
Embora o Canadá não tenha um “tariflávio” em sua política econômica, existem províncias que possuem autonomia para aplicar represálias econômicas que o governo central de Ottawa não controla. Essa dinâmica pode complicar ainda mais a situação, especialmente em um contexto político instável, com a iminente escolha de um novo líder do Partido Liberal após a saída de Justin Trudeau.
Carney, um banqueiro sem experiência política anterior, surpreendeu muitos ao ser eleito primeiro-ministro. Sua ascensão foi impulsionada por um forte apoio de Washington, especialmente após o primeiro tarifaço que foi implementado logo após sua posse. A relação entre o Canadá e os Estados Unidos, que já havia sido tensa sob a administração anterior, se deteriorou ainda mais com a ameaça de anexação do Canadá por Trump.
Em resposta a essa pressão, Carney adotou uma postura firme, afirmando que a relação com os EUA havia mudado. Ele começou a buscar novas parcerias comerciais globalmente, enquanto se tornava um defensor da aliança da Otan, algo que havia sido ameaçado por Trump. Essa mudança de foco incluiu um aumento no orçamento de defesa canadense, uma decisão impopular entre os progressistas, mas que garantiu apoio em eleições especiais.
O primeiro-ministro tem se mostrado eficaz em sua comunicação, utilizando um discurso sóbrio e direto. Em um recente pronunciamento em Davos, Carney destacou que “nostalgia não é uma estratégia” e que, se o Canadá não estiver presente nas negociações, estará “no menu”. Essas declarações ressoaram fortemente, superando as mensagens de líderes mais experientes como Emmanuel Macron.
Enquanto Carney desfruta de um período de popularidade, a percepção pública sobre ele é cautelosa. Muitos canadenses o veem como uma figura menos carismática em comparação a Trudeau, e a crítica à sua oratória é comum. No entanto, sua capacidade de navegar em um ambiente político desafiador e de responder a ameaças externas tem sido um ponto positivo em sua gestão. O futuro do Canadá em meio a essas tensões comerciais e políticas permanece incerto, mas a liderança de Carney será fundamental para enfrentar os desafios que estão por vir.



