Em um movimento inédito, a Marinha dos Estados Unidos não contará com nenhuma mulher promovida ao posto de almirante neste ano, marcando a primeira vez em uma década que isso ocorre. A decisão, tomada pelo secretário de Defesa, Pete Hegseth, resultou na suspensão das promoções de sete oficiais superiores, cinco dos quais são mulheres ou não brancos, segundo fontes do setor. Essa medida gerou controvérsia e críticas, especialmente entre os democratas, que argumentam que as ações de Hegseth desconsideram as conquistas dos oficiais afetados e vão contra o princípio de um Exército apolítico.
A lista original de promoções incluía 22 oficiais, selecionados por uma comissão de almirantes, que considerou esses candidatos como os de melhor desempenho ao longo de suas longas carreiras. Entre os nomes removidos está o da contra-almirante Amy Bauernschmidt, que em 2020 se tornou a primeira mulher a comandar um porta-aviões da Marinha. Hegseth não apresentou justificativas para as demissões, mas tem se manifestado contra o que considera uma ênfase excessiva na promoção de mulheres e minorias em detrimento de homens brancos.
Em seu livro, “The War on Warriors”, Hegseth critica as promoções por ação afirmativa, afirmando que o foco em ‘primeiras vezes’ tem sido um fator desproporcional na seleção de novos líderes. Embora as mulheres constituam 21% do efetivo ativo da Marinha, elas representam apenas 7% dos almirantes em exercício. A situação se agrava com o fato de que mais da metade dos oficiais demitidos ou retirados das listas de promoção por Hegseth eram mulheres ou negros. Os senadores democratas expressaram preocupação em uma carta enviada ao secretário, argumentando que as ações de Hegseth não apenas ignoram as realizações dos oficiais removidos, mas também podem prejudicar a moral e a diversidade nas Forças Armadas. Enquanto isso, uma oficial da reserva foi indicada para promoção ao posto de uma estrela, mas a maioria dos oficiais que deveriam ser promovidos neste ciclo não será confirmada pelo Senado, o que pode ter repercussões duradouras na estrutura de liderança da Marinha.




