Thomas Tuchel pode se tornar, nesta quarta-feira (15), em Atlanta, o terceiro técnico estrangeiro a levar uma seleção à final de uma Copa do Mundo. Para isso, a Inglaterra precisa vencer a Argentina na semifinal, marcada para as 16h (horário de Brasília). Apenas dois treinadores conseguiram alcançar essa façanha anteriormente: o inglês George Raynor, que levou a Suécia à final em 1958, e o austríaco Ernst Happel, que conduziu a Holanda à decisão em 1978. Ambos, no entanto, saíram derrotados.
Desde então, nenhum técnico estrangeiro conseguiu chegar à final do torneio. Na história da Copa do Mundo, que começou em 1930, nunca um treinador nascido fora do país da seleção campeã levantou a taça. Tuchel, que foi anunciado pela Federação Inglesa (FA) em outubro de 2024 e assumiu oficialmente em janeiro de 2025, substituiu Gareth Southgate, que havia levado a Inglaterra às semifinais da Copa de 2018 e às finais das Eurocopas de 2021 e 2024, ambas perdidas.
Sob a direção de Tuchel, a Inglaterra teve um desempenho impecável nas Eliminatórias para a Copa de 2026, vencendo todos os oito jogos e não sofrendo gols. Esse sucesso levou a FA a renovar seu contrato até a Eurocopa de 2028, em fevereiro deste ano, meses antes do início do Mundial. No mata-mata, a seleção inglesa eliminou a República Democrática do Congo, o México e a Noruega, garantindo a vaga na semifinal após uma vitória por 2 a 1 sobre os noruegueses na prorrogação, enquanto a Argentina também precisou de tempo extra para vencer a Suíça.
A Inglaterra busca retornar à final da Copa do Mundo pela primeira vez desde que conquistou o título em 1966. Este Mundial é notável pela presença de técnicos estrangeiros, com 27 das 48 seleções iniciando a competição sob o comando de treinadores nascidos em outros países, um aumento significativo em comparação com as nove seleções da edição de 2022.
Até as quartas de final, apenas Tuchel e o francês Rudi Garcia, técnico da Bélgica, ainda estavam na disputa pelo título. Garcia foi eliminado pela Espanha, enquanto o italiano Carlo Ancelotti foi derrotado nas oitavas de final com o Brasil e o espanhol Roberto Martínez também caiu, com Portugal, diante da seleção espanhola.
O jornalista Simon Kuper, autor de ‘Soccernomics’, aponta que a resistência histórica aos treinadores estrangeiros vai além do futebol. Ele sugere que isso está ligado ao orgulho nacional, já que uma Copa do Mundo não é apenas uma competição, mas uma forma de exibir a cultura futebolística de cada país, incluindo a escolha do técnico. Kuper observa que a globalização tem diminuído as diferenças entre as escolas nacionais de futebol, tornando a nacionalidade do treinador menos relevante na escolha das federações.
Assim, Thomas Tuchel se encontra em uma posição histórica, buscando não apenas um título, mas também a quebra de um tabu que perdura há quase cinco décadas na Copa do Mundo.




