Em meio a uma escalada das tensões com o Irã, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta segunda-feira (13) que o país irá assumir o controle do estreito de Hormuz, uma das rotas marítimas mais estratégicas do mundo, e que pretende cobrar por esse serviço. “Nós vamos manter o controle do estreito e provavelmente administrá-lo. Seremos os guardiões do estreito. Talvez o anjo da guarda do estreito. E deveríamos ser reembolsados por isso”, declarou Trump em entrevista à Fox News.
Essa declaração ocorre em um contexto de renovadas hostilidades entre os EUA e o Irã, que incluem uma série de ataques mútuos. Trump já havia mencionado anteriormente a intenção de controlar o tráfego marítimo na região, que é responsável por cerca de 20% do petróleo e gás natural do mundo, antes do início da guerra entre os EUA e Israel contra o Irã, em fevereiro.
Na sua última fala, o presidente americano havia afirmado que não deveria haver um pedágio para a passagem de navios na região, como o Irã sugere, mas que, caso isso acontecesse, os países deveriam pagar aos EUA. No entanto, Trump não detalhou como esse controle seria implementado, especialmente considerando que atualmente não há força militar americana suficiente na região para garantir uma passagem segura contra ataques iranianos.
O Irã, por sua vez, respondeu às declarações de Trump através de seu comando militar, afirmando que atacará qualquer embarcação que não tiver autorização para transitar por rotas designadas. O país advertiu que qualquer apoio aos EUA por parte de nações vizinhas será considerado um “ato de guerra”. A situação se complica ainda mais com a recente declaração de Trump, que considerou a trégua com o Irã encerrada. Desde então, os dois lados têm se atacado sistematicamente. Nesta segunda-feira, houve uma nova rodada de confrontos, com ataques iranianos a instalações americanas em diversos países da região, incluindo Bahrein, Kuwait e Jordânia.
O estreito de Hormuz é crucial, pois conecta o Golfo Pérsico ao Mar da Arábia e é uma rota vital para o transporte de petróleo. O controle dessa passagem é disputado, com o Irã controlando a costa norte e Omã, a costa sul. As nações produtoras de petróleo da região e os EUA têm se oposto à ideia de um controle unilateral do estreito.
A intensificação dos conflitos resultou em uma queda significativa no tráfego marítimo na região, que atingiu o menor nível desde a trégua de junho. No último domingo, apenas 14 navios com sistemas de comunicação ativos passaram pelo estreito, um número alarmante em comparação com os 22 que haviam transitado um dia antes, quando o Irã atacou duas embarcações.




