Post: Da infância no interior ao império da soja: a trajetória de Eraí Maggi

Conheça a trajetória de Eraí Maggi, o novo Rei da Soja, e como ele construiu um império no agronegócio brasileiro.
Imagem gerada com IA

No vasto cenário do agronegócio brasileiro, poucos nomes se destacam tanto quanto o de Eraí Maggi Scheffer, conhecido como o novo “Rei da Soja”. À frente do Grupo Bom Futuro, Maggi não apenas transformou sua trajetória pessoal, mas também a dinâmica do setor agrícola no Brasil, expandindo suas operações para se tornar uma potência logística, energética e industrial. Com um faturamento anual superior a R$ 6 bilhões, sua trajetória é um exemplo de resiliência e inovação.

Com mais de 700 mil hectares cultivados, área maior do que a de países como Brunei e Cabo Verde, a empresa de Maggi produz anualmente cerca de 1,9 milhão de toneladas de grãos e 360 mil toneladas de pluma de algodão. O grupo também opera 12 usinas hidrelétricas e três fotovoltaicas, além de contar com o maior aeroporto privado do Centro-Oeste, localizado em Cuiabá.

Essa ascensão é ainda mais impressionante quando contrastada com suas humildes origens. Na década de 1970, a família Maggi Scheffer cultivava apenas 65 hectares em São Miguel do Iguaçu, no Paraná. A migração da família, liderada por Antônio Clarismundo Scheffer e Luzia Maggi Scheffer, da pequena Três Cachoeiras no Rio Grande do Sul, buscava melhores oportunidades no interior paranaense.

Eraí, o terceiro de sete irmãos, desenvolveu sua ética de trabalho desde cedo. Aos 9 anos, ele já ajudava na lavoura e cuidava do gado. Após a morte de seu pai em um acidente em 1976, assumiu a gestão dos negócios familiares aos 18 anos, em um cenário econômico desafiador, marcado pela escassez de crédito. Para contornar as dificuldades, ele começou a arrendar terras vizinhas, uma estratégia que se tornaria fundamental para sua expansão no Centro-Oeste.

A migração para o Mato Grosso ocorreu entre o final da década de 1970 e o início de 1980, impulsionada por políticas de integração nacional que incentivavam a ocupação do Cerrado. Com o apoio de seu tio, André Maggi, Eraí arrendou a Fazenda Bom Futuro, que possuía 2,5 mil hectares voltados para a agricultura. Ao liquidar os bens da família no Paraná, ele utilizou o capital para se estabelecer definitivamente na nova região.

A estratégia de pagamento em sacas de soja garantiu a estabilidade financeira do negócio, mesmo em tempos de instabilidade econômica. Em 1994, após um período de estiagem que trouxe prejuízos, a família Maggi Scheffer adquiriu definitivamente a Fazenda Bom Futuro, dando início à construção do império agrícola que conhecemos hoje.

A expansão da Bom Futuro foi metódica e estratégica. A aquisição de terras foi financiada por meio dos fluxos de caixa operacionais e linhas de crédito, permitindo um crescimento contínuo. Nos anos 1990, a venda de terras ao grupo Ceval possibilitou novas aquisições em Campo Verde, onde a empresa instalou sua primeira Indústria de Beneficiamento de Algodão em 1998.

A rivalidade com seu primo, Blairo Maggi, também foi um fator importante na trajetória de Eraí. Enquanto Blairo diversificou os negócios da Amaggi, investindo em outras etapas da cadeia do agronegócio, Eraí focou na produção primária, aumentando a área cultivada da Bom Futuro em mais de 20% ao ano. Em 2009, ele se consolidou como o novo “Rei da Soja”, ao cultivar 223 mil hectares, superando seu primo.

A adoção de tecnologias de agricultura de precisão e a gestão de riscos por meio de arrendamentos contracíclicos foram decisivas para o sucesso de Eraí. Apesar das oscilações do mercado, ele manteve sua concentração no Mato Grosso, onde as condições climáticas favoráveis permitem duas safras anuais. Com um investimento significativo no aeroporto Luzia Maggi Scheffer, o Grupo Bom Futuro continua a expandir suas operações e a solidificar sua posição no agronegócio.

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