A Copa do Mundo não é apenas um evento esportivo; ela também é marcada por tensões geopolíticas que influenciam decisões importantes, como a escolha dos árbitros. Um exemplo notável é a relação entre Inglaterra e Argentina, que, devido a um histórico de conflitos, resulta na exclusão de árbitros de ambos os países em partidas que envolvem suas seleções.
Desde a Guerra das Malvinas, em 1982, onde a Argentina e o Reino Unido disputaram a soberania das ilhas, a rivalidade entre as duas nações se estendeu para o campo esportivo. Após o conflito, que resultou na morte de centenas de soldados, a Fifa decidiu que árbitros ingleses não apitariam jogos da seleção argentina, e vice-versa. Essa decisão reflete não apenas a rivalidade esportiva, mas também um contexto histórico que ainda ressoa nas relações diplomáticas contemporâneas.
Em 1986, durante a Copa do Mundo no México, a tensão se manifestou de maneira dramática. A Argentina, liderada por Diego Maradona, eliminou a Inglaterra nas quartas de final em um jogo que ficou marcado por momentos icônicos, incluindo o famoso gol conhecido como “A Mão de Deus”. Após a partida, Maradona mencionou a “vingança” pelo que havia acontecido na Guerra das Malvinas, revelando a profunda conexão entre o esporte e a política.
Atualmente, a Fifa continua a evitar que árbitros de um país apitem jogos do outro, reforçando essa política de neutralidade em um contexto de rivalidade histórica. Portanto, é improvável que árbitros argentinos, como Facundo Tello, apitem partidas da Inglaterra, assim como os ingleses Michael Oliver e Anthony Taylor não estarão envolvidos em jogos da Argentina. Taylor, por exemplo, foi considerado para apitar a final da Copa do Mundo de 2022, mas sua nomeação foi cancelada devido à presença da Argentina na decisão.
As seleções de Inglaterra e Argentina podem se encontrar novamente nas semifinais da Copa do Mundo de 2026, caso ambas avancem em seus jogos. Neste sábado, a Inglaterra enfrenta a Noruega, enquanto a Argentina joga contra a Suíça, em confrontos que podem reacender essa rivalidade histórica, tanto dentro quanto fora de campo. A escolha dos árbitros, portanto, não é apenas uma questão de habilidade, mas uma decisão que envolve a complexidade das relações internacionais e a história compartilhada entre as nações.




