O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou na última sexta-feira (10) que o Irã manifestou interesse em retomar as negociações, mas deixou claro que o cessar-fogo estabelecido em junho não está mais em vigor. A declaração foi feita após uma série de ataques a petroleiros comerciais do Catar e da Arábia Saudita, que culminaram em bombardeios americanos a instalações iranianas. Trump, em uma postagem em sua rede social Truth Social, afirmou que a República Islâmica do Irã solicitou a continuidade das conversações, e os EUA concordaram, mas enfatizou que o cessar-fogo havia chegado ao fim. “A República Islâmica do Irã nos pediu para continuar as ‘negociações’. Concordamos em fazê-lo, mas os Estados Unidos declararam a eles, em termos inequívocos, que o cessar-fogo acabou!” As tensões entre as duas nações aumentaram após a troca de agressões, que incluiu ataques a instalações militares americanas em países vizinhos do Golfo. O principal negociador do Irã, Mohammad Baqer Qalibaf, advertiu que Teerã estaria preparado para uma “defesa total” caso os Estados Unidos não respeitassem o memorando de entendimento firmado no mês anterior. Durante uma reunião com o presidente da Assembleia Consultiva Popular da Indonésia, Qalibaf destacou que a confiança em Washington é escassa e que apenas aqueles dispostos à guerra poderiam negociar com os EUA.
Enquanto isso, negociadores do Catar se reuniam com autoridades iranianas em uma tentativa de reduzir as tensões e discutir a navegação pelo estreito de Hormuz, uma passagem crucial para o transporte de petróleo. A movimentação de petroleiros pela via marítima parece ter diminuído, refletindo as crescentes preocupações com a segurança do fornecimento global de petróleo. O estreito de Hormuz é responsável por cerca de um quinto do fornecimento mundial de petróleo, e desde o início do conflito, Teerã tem exercido um controle significativo sobre a região, complicando ainda mais a dinâmica com os Estados Unidos, a força militar mais poderosa do mundo. Sob o acordo provisório anterior, os EUA haviam encerrado o bloqueio naval aos portos iranianos, enquanto o Irã se comprometeu a garantir a passagem segura dos navios. No entanto, a recente escalada de hostilidades levanta dúvidas sobre a viabilidade de qualquer acordo futuro.




