O líder chinês, Xi Jinping, enviou seus parabéns ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em comemoração ao 250º aniversário da independência americana. Este gesto de cordialidade, no entanto, contrasta com a abordagem da mídia estatal chinesa, que utilizou a efeméride para criticar os EUA. O Ministério das Relações Exteriores da China confirmou a mensagem de felicitações de Xi, mas a agência de notícias Xinhua lançou um vídeo provocativo intitulado “Uma História em Chamas”. A produção, que utiliza inteligência artificial, retrata uma cena em uma casa típica americana com o personagem Tio Sam, figura emblemática que representa o poder dos Estados Unidos. Durante a comemoração, o Tio Sam assopra as velas de um bolo de aniversário, que revela mísseis em miniatura, os quais se dirigem a um mapa do Oriente Médio. A mensagem final do vídeo, “Apagando velas, explodindo países”, critica a longa história de intervenções militares dos EUA.
A crítica se intensifica em um momento em que o Irã enfrenta uma nova fase de conflitos, após o término de um cessar-fogo. Trump, em declarações recentes, responsabilizou o Irã pela deterioração do acordo, citando ataques a alvos americanos na região do Golfo Pérsico. Em resposta, a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Mao Ning, pediu que ambas as nações respeitem os acordos e busquem resolver suas disputas por meio do diálogo.
Este não é o primeiro uso de vídeos satíricos por Pequim para criticar os EUA. Em março, a emissora estatal CCTV lançou uma produção semelhante, novamente com o Tio Sam, que satirizava os bombardeios americanos que resultaram na destruição de uma escola no Irã, causando a morte de 175 pessoas, a maioria crianças. Além disso, em janeiro, a Embaixada da China em Washington publicou uma sátira envolvendo a águia americana, outro símbolo nacional dos EUA.
Essas produções refletem a postura crítica da China em relação aos Estados Unidos, especialmente em um contexto de tensões geopolíticas e comerciais. O uso de inteligência artificial para criar conteúdo provocativo sugere uma estratégia de comunicação que visa não apenas criticar, mas também entreter e engajar o público nas redes sociais. A mensagem de Xi pode ser vista como uma tentativa de equilibrar a diplomacia com a crítica, enquanto a mídia estatal continua a abordar as questões internacionais de forma incisiva, utilizando humor e ironia para expressar descontentamento com as ações americanas no cenário global.




