Post: Vale anuncia compensação a ex-conselheiro que renunciou sob pressão da Previ

Vale confirma pagamento de compensação ao ex-conselheiro Daniel Stieler, que renunciou sob pressão da Previ. Investigação da CVM está em andamento.
Vale anuncia compensação a ex-conselheiro que renunciou sob pressão da Previ

A Vale confirmou à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) que irá pagar uma compensação financeira ao ex-conselheiro Daniel Stieler, que renunciou ao cargo no início da semana, após enfrentar pressão da Previ, o fundo de previdência dos funcionários do Banco do Brasil. A decisão gerou questionamentos por parte de investidores, uma vez que a política de remuneração da mineradora não contempla benefícios desse tipo para membros do conselho de administração. Na quarta-feira (8), a CVM iniciou um processo para investigar a situação.

Em resposta à autarquia, a Vale informou que firmou com Stieler um contrato que abrange cláusulas de “não competição, não solicitação, não difamação e confidencialidade” por um período de 24 meses. A empresa justificou que a rescisão do contrato foi não planejada e ocorreu enquanto havia assuntos estratégicos em andamento, o que exigiu cuidados adicionais na transição de sua saída. O mandato de Stieler estava previsto para se encerrar em abril de 2027.

Entretanto, a própria Vale destacou que sua política de remuneração não prevê benefícios pós-emprego para os membros do conselho. O contrato com Stieler é considerado um “instrumento específico e extraordinário”. A mineradora não revelou o valor da compensação, mas em 2025, Stieler recebeu R$ 3.227.961, o que equivale a cerca de R$ 268 mil mensais, conforme informações apresentadas à investidores no início do ano.

A Vale afirmou que os valores da compensação foram analisados por uma empresa reconhecida internacionalmente e estão alinhados com as práticas de mercado e os objetivos da companhia em situações semelhantes. As informações foram divulgadas na manhã desta quinta-feira (9) em resposta a questionamentos da CVM, que investiga uma reclamação do investidor Renato Chaves, especialista em governança corporativa.

A CVM não fornece detalhes sobre o processo, mas fontes indicam que Chaves questiona o possível descumprimento do artigo 154 da Lei das Sociedades por Ações, que proíbe atos de liberalidade por parte dos administradores às custas da empresa. A Previ, maior acionista individual da Vale e responsável pela indicação de Stieler ao conselho, buscava a sua destituição, mas o executivo resistiu. Em junho, a fundação solicitou uma assembleia de acionistas para destituí-lo.

Stieler continuou a resistir e, em defesa apresentada ao conselho, acusou a Previ de atropelar procedimentos internos, enfraquecer a governança da empresa e abusar de seu poder de voto. Até o momento, a Previ não se manifestou sobre o assunto.

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