O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem intensificado sua presença no Nordeste, região que historicamente apoia o petismo, mas que enfrenta desafios significativos nas eleições de 2026. A recente aliança entre Ciro Gomes (PSDB) e o PL no Ceará e o avanço de ACM Neto (União) na Bahia acendem um alerta para a reeleição de Lula, que busca fortalecer suas bases em um cenário eleitoral conturbado.
No Ceará, o governador Elmano de Freitas (PT) enfrenta dificuldades em sua campanha de reeleição. Uma pesquisa de intenção de voto realizada pela AtlasIntel, divulgada em 15 de junho, mostra Ciro Gomes liderando com 45,8% das intenções, enquanto Elmano aparece com 44,8%. Em um possível segundo turno, Ciro se destaca com 54,2% dos votos válidos, o que evidencia a fragilidade da posição do atual governador.
A aliança de Ciro com o PL, que inclui o apoio de figuras da direita, representa uma nova dinâmica na política cearense. Ciro, que já governou o estado entre 1991 e 1994, retorna ao PSDB e busca consolidar sua base de apoio. Essa movimentação política teve repercussão interna no PL, resultando na saída da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro da liderança do PL Mulher, após críticas a Flávio Bolsonaro, pré-candidato à presidência pelo partido.
Para reverter a situação, Elmano conta com o apoio de Lula e do ex-governador Camilo Santana (PT). Recentemente, Lula participou de eventos no Ceará, como a inauguração de trechos da Ferrovia Transnordestina e a entrega de ônibus escolares e unidades móveis de atendimento odontológico. Durante esses eventos, Lula fez um apelo para que a campanha não descesse ao nível de ataques pessoais, enfatizando a importância de mostrar o que está sendo realizado pelo governo.
Na Bahia, a situação do PT é igualmente desafiadora. O governador Jerônimo Rodrigues (PT) enfrenta uma disputa acirrada com ACM Neto, ex-prefeito de Salvador, que lidera as pesquisas de intenção de voto. Uma pesquisa do Paraná Pesquisas, divulgada em 1 de julho, mostra Neto com 49,2% das intenções, enquanto Rodrigues tem 37,5%. O cenário se complica ainda mais com as investigações que envolvem o senador Jaques Wagner (PT), que é suspeito de receber favores indevidos de um ex-banqueiro preso. Mesmo diante desse escândalo, Lula defendeu Wagner, minimizando as investigações e reafirmando sua aliança com o senador e outros líderes locais.
Em 2022, Lula conquistou vitórias expressivas tanto no Ceará quanto na Bahia, obtendo mais de 69% dos votos válidos no Ceará e uma vantagem de mais de 2 milhões de votos na Bahia. No entanto, as novas alianças e os desafios locais colocam em risco essa base de apoio, exigindo uma estratégia mais robusta e coordenada do PT para garantir a reeleição de seus governadores e a manutenção do apoio popular na região.



