Post: Suposto espião russo que pode ser expulso do Brasil trabalhou em agência de turismo e fez aulas de forró

Sergei Tcherkasov, suposto espião russo, trabalhou em turismo e fez aulas de forró no Brasil. Entenda seu caso.
Suposto espião russo que pode ser expulso do Brasil trabalhou em agência de turismo e fez aulas de forró

O governo brasileiro decidiu expulsar Sergei Vladimirovitch Tcherkasov, um suposto espião russo que está preso no Brasil desde 2022. A decisão foi publicada no Diário Oficial da União e determina que ele será enviado de volta à Rússia, mas a medida só será cumprida após o cumprimento de sua pena ou mediante autorização do Judiciário. Tcherkasov, apontado pela Polícia Federal como um agente de inteligência russo, cumpre uma pena de cinco anos por falsidade ideológica em uma penitenciária federal de Brasília.

O espião viveu no Brasil sob a identidade falsa de Victor Muller Ferreira, na tentativa de se infiltrar no Tribunal Penal Internacional (TPI). Durante sua estadia, ele trabalhou em uma agência de turismo e câmbio no Rio de Janeiro e fez aulas de forró em São Paulo, buscando reforçar sua identidade como brasileiro. Um professor de dança que o ensinou relatou que Tcherkasov se dedicou intensamente, chegando a treinar cinco vezes por semana, durante cerca de três horas por dia.

A investigação revelou que Tcherkasov entrou no Brasil em 2010, utilizando uma identidade falsa. Com documentos brasileiros obtidos de forma fraudulenta, ele construiu uma biografia detalhada e chegou a residir na Irlanda e nos Estados Unidos antes de tentar uma vaga no tribunal na Holanda. Entre 2015 e 2018, ele cursou ciência política no Trinity College, na Irlanda, e depois estudou relações internacionais na Universidade Johns Hopkins, nos EUA, sempre se apresentando como o brasileiro Victor Ferreira.

O TPI, localizado em Haia, é responsável por investigar possíveis crimes de guerra, incluindo os cometidos durante a Guerra da Ucrânia. Tcherkasov foi detido em abril de 2022 por autoridades holandesas ao tentar entrar no país com documentos brasileiros falsificados. As autoridades da Holanda o classificaram como agente do Departamento Central de Inteligência (GRU), a unidade de inteligência militar da Rússia.

Documentos divulgados pela inteligência holandesa indicam que Tcherkasov elaborou uma biografia fictícia extremamente detalhada, que memorizou em 2010. Segundo esse relato, ele teria nascido em 4 de abril de 1989, em Niterói (RJ), e enfrentado dificuldades financeiras e abandono paterno. A narrativa incluía uma série de detalhes pessoais, como ter sido criado pela mãe, que fazia apresentações musicais, até sua morte por pneumonia, o que o levou a viver no exterior com uma tia.

Após ser barrado na Holanda, Tcherkasov foi deportado de volta ao Brasil, onde permanece preso. Seu caso é um dos exemplos mais notórios de espionagem internacional e levanta questões sobre a segurança e a vigilância de agentes estrangeiros em solo brasileiro.

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