O governo da Venezuela fez um apelo à Organização das Nações Unidas (ONU) nesta quarta-feira (8) para que sejam liberados ativos congelados do país no exterior. A medida visa arrecadar fundos para a recuperação após os dois terremotos que atingiram a nação em junho, resultando na morte de pelo menos 3.685 pessoas e deixando milhares de desabrigados. O ministro das Relações Exteriores, Iván Gil, destacou a necessidade de um plano de liberação desses fundos, que foram congelados devido a sanções internacionais. Em uma reunião virtual com o Escritório de Coordenação de Assuntos Humanitários da ONU, Gil enfatizou que as contas pertencentes ao Estado venezuelano, que estão bloqueadas em diversas partes do mundo, precisam ser acessadas para auxiliar na recuperação do país.
Os terremotos, que ocorreram em 24 de junho, tiveram magnitudes de 7,7 e 7,5, devastando cidades, especialmente no estado de La Guaira. A infraestrutura local, incluindo estradas, hospitais e escolas, sofreu danos severos, e as operações de busca e resgate continuam com a ajuda de equipes internacionais. O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) estima que a reconstrução exigirá bilhões de dólares, com cerca de 1,2 milhão de toneladas de escombros geradas nas áreas mais afetadas. A Nasa também divulgou um mapa preliminar que indica que aproximadamente 58.870 edifícios podem ter sido danificados ou destruídos na região.
O governo, liderado por Delcy Rodríguez, argumenta que os recursos necessários para a recuperação podem ser obtidos através da liberação dos ativos congelados, que foram bloqueados em resposta a sanções impostas por países como os Estados Unidos e a União Europeia. As autoridades venezuelanas afirmam que esses recursos pertencem ao Estado e devem ser utilizados para a resposta ao desastre, enquanto os países que aplicaram as sanções defendem que as restrições visam pressionar o regime a promover mudanças democráticas e a responsabilização por violações de direitos humanos. A situação continua a ser monitorada de perto, à medida que a Venezuela enfrenta um dos seus maiores desafios humanitários nos últimos anos.




