A devastação causada pelos terremotos de magnitude 7,2 e 7,5 que atingiram a Venezuela em 24 de junho de 2026 gerou uma série de questionamentos sobre os motivos que levaram ao colapso de tantos prédios, resultando em milhares de mortos e feridos. Especialistas apontam que fatores como as características do solo e a qualidade das construções foram determinantes para a tragédia. A Nasa estima que aproximadamente 59 mil edificações em todo o país podem ter sofrido algum tipo de dano, embora essa projeção ainda careça de verificações em campo.
O deslocamento da placa tectônica Sul-Americana em relação à placa do Caribe provocou uma liberação intensa de energia nas profundezas da Terra, especialmente na região costeira de La Guaira, considerada o “marco zero” da tragédia. Embora os epicentros dos terremotos tenham sido registrados em Yaracuy, a ruptura na crosta terrestre foi tão extensa que as ondas sísmicas se propagaram até o litoral, onde se localiza a falha de San Sebastián, um ponto crítico entre as duas placas tectônicas.
Para Feliciano de Santis, presidente da Sociedade Venezuelana de Geólogos, existem mais de 50 razões que podem explicar o desabamento de um prédio. Entre os fatores que contribuíram para a catástrofe estão o impacto das ondas sísmicas, a proximidade de La Guaira da área de liberação de energia sísmica e a ressonância nos edifícios, além de irregularidades nas construções.
O governo venezuelano declarou La Guaira como zona de desastre, e relatórios indicam que mais de 800 prédios sofreram danos, com estimativas independentes apontando cerca de 900 construções danificadas. O impacto direto das ondas sísmicas foi particularmente severo na costa, onde a falha de San Sebastián se estende pelo fundo do mar, provocando danos significativos.
Rafael Abreu, geofísico do Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS), destacou que as características do terremoto – alta magnitude, longa duração e baixa profundidade – contribuíram para sua destrutividade. O deslizamento da falha atingiu um deslocamento máximo de 3,6 metros, causando danos mais severos em locais como Catia La Mar, uma das áreas mais afetadas.
Além do poder destrutivo do terremoto, a qualidade do solo e as falhas nas construções também foram fatores cruciais. Michael Schmitz, professor de geofísica, observou que a cidade de Caraballeda, por exemplo, possui uma bacia sedimentar que, devido à sua profundidade, contribuiu para os desabamentos. Enquanto isso, em Catia La Mar, o solo é formado por rochas de dureza intermediária, mas em algumas regiões, os sedimentos mais macios amplificaram os movimentos do terreno, intensificando os danos.
Ruth Quereguán, pesquisadora da Universidade Central da Venezuela, também analisou a situação em Catia La Mar e destacou que a combinação de fatores geológicos e a qualidade das construções foram determinantes para a tragédia. Os especialistas continuam a investigar as causas e consequências dos desabamentos, buscando entender melhor como evitar que tragédias semelhantes ocorram no futuro.




