Post: Tesouro revisa análise para novo empréstimo aos Correios após críticas do TCU

Tesouro Nacional revisa análise para novo empréstimo aos Correios após críticas do TCU sobre operação anterior.
Tesouro revisa análise para novo empréstimo aos Correios após críticas do TCU

O Tesouro Nacional se vê obrigado a reavaliar seus procedimentos para conceder garantias a um novo empréstimo dos Correios, após o Tribunal de Contas da União (TCU) criticar a análise realizada na primeira operação de salvamento da estatal, ocorrida no final do ano passado. O TCU abriu um processo para investigar a responsabilidade de servidores do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), alegando que a análise de risco não foi suficientemente aprofundada para operações dessa magnitude.

Em dezembro de 2025, os Correios obtiveram um empréstimo de R$ 12 bilhões junto a cinco instituições financeiras, incluindo a Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil, ambos controlados pelo governo. A garantia soberana implica que a União se responsabiliza pelos pagamentos em caso de inadimplência. Diante da grave crise financeira enfrentada pela empresa, que não possuía capacidade de pagamento adequada, o governo teve que flexibilizar as regras para permitir o acesso ao empréstimo, baseado nas projeções de seu plano de reestruturação.

O TCU, no entanto, esperava que o governo realizasse uma análise mais criteriosa da viabilidade do plano, avaliando suas premissas. A corte de contas apontou que a análise foi superficial, levando a União a assumir um “risco fiscal relevante”. A garantia foi concedida apenas dois dias após o envio formal do contrato ao Tesouro, e a versão final do plano foi apresentada apenas três dias antes da decisão. O tribunal criticou a rapidez da análise, considerando-a inadequada para a complexidade da situação.

A abertura do processo de responsabilização gerou preocupação dentro do Tesouro, uma vez que os servidores podem ser responsabilizados pessoalmente por eventuais irregularidades. Em resposta, o Ministério da Fazenda decidiu discutir a revisão dos processos internos. O governo também está recorrendo da decisão do TCU.

Ainda não está claro se as mudanças afetarão apenas a prática dos técnicos na avaliação do novo empréstimo ou se haverá alterações formais na portaria que regulamenta o tema. Há receios de que uma modificação na norma possa ser interpretada pelo TCU como uma confissão de erro na operação anterior.

Um membro da equipe econômica indicou que o processo de revisão pode levar até dois meses, incluindo a análise da nova operação, que já está em negociação. Até o fechamento desta matéria, tanto o Ministério da Fazenda quanto os Correios não haviam se manifestado.

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