A presença da China nas redes sociais durante a Copa do Mundo gerou uma reflexão sobre o desempenho do país no futebol. Apesar de ser a nação mais populosa do mundo e uma potência olímpica, a seleção chinesa não conseguiu se classificar para o torneio da FIFA, o que levanta a pergunta: por que a China não joga bem futebol?
Historicamente, a seleção masculina da China participou apenas de uma Copa do Mundo, em 2002, onde saiu na primeira fase sem marcar gols, incluindo uma derrota de 4 a 0 para o Brasil. Atualmente, ocupa a 90ª posição no ranking da FIFA, logo acima de Curaçao, uma ilha com apenas 150 mil habitantes.
Um dos fatores que não pode ser ignorado é o investimento financeiro no futebol. Desde 2015, clubes da Superliga Chinesa gastaram bilhões de dólares em contratações de jogadores renomados como Oscar, Hulk e Carlos Tévez, além de técnicos de renome como Marcello Lippi e Luiz Felipe Scolari. Em 2011, o presidente Xi Jinping expressou seu desejo de ver a China na Copa do Mundo e prometeu torná-la uma potência do futebol até 2050.
Entretanto, o dinheiro não foi o único obstáculo. A corrupção também teve um papel significativo, com investigações revelando manipulações em resultados e práticas fraudulentas. O ex-técnico da seleção, Li Tie, foi condenado a 20 anos de prisão por suborno, e o ex-presidente da federação, Chen Xuyuan, recebeu pena perpétua. Essas questões prejudicaram a seleção, que não conseguiu formar uma base sólida de atletas.
Outro aspecto importante é a formação de jovens jogadores. A base de praticantes é pequena em comparação à população. A pressão escolar, o vestibular e a política do filho único afastam as crianças dos campos. Além disso, a falta de infraestrutura, como gramados e escolinhas, e a ausência de uma cultura de rua que fomente o futebol dificultam o surgimento de novos talentos.
A pandemia de Covid-19 também aprofundou os problemas já existentes. Entre 2020 e 2022, a política de Covid zero esvaziou estádios, isolou equipes e afastou treinadores estrangeiros, agravando ainda mais a situação do futebol masculino, que já enfrentava dificuldades em comparação ao futebol feminino, que tem se destacado em competições internacionais.
O caso da China no futebol ilustra os limites do planejamento estatal. Embora o país tenha alcançado avanços significativos em diversas áreas, como infraestrutura e tecnologia, a formação de jogadores de futebol requer um desenvolvimento orgânico, que não pode ser imposto por decreto. O país que fabrica robôs ainda não encontrou a fórmula para produzir atacantes, zagueiros e meio-campistas de alto nível.




