Post: Retorno do trem de passageiros em Santa Catarina ganha impulso após 35 anos

Santa Catarina avança na retomada do trem de passageiros após 35 anos, buscando alternativas sustentáveis para o transporte.
Retorno do trem de passageiros em Santa Catarina ganha impulso após 35 anos

O transporte ferroviário de passageiros no norte de Santa Catarina está prestes a ganhar nova vida, após 35 anos de inatividade. Recentemente, representantes de três associações de municípios catarinenses se uniram para pleitear a inclusão da ferrovia EF-485, que liga Mafra a São Francisco do Sul, nos contratos de Estudos de Viabilidade Técnica, Econômica e Ambiental (EVTEA). Essa articulação marca um passo significativo na busca por alternativas de transporte que aliviem o tráfego nas rodovias da região.

A proposta não envolve a construção de uma nova linha, mas sim o reaproveitamento da infraestrutura existente. A EF-485 foi um importante meio de transporte de passageiros por 85 anos, operando entre 1906 e 1991, com as antigas litorinas sendo suas últimas representantes. O trajeto abrange dez municípios, incluindo São Francisco do Sul, Joinville e Jaraguá do Sul, e atualmente é utilizado apenas para o transporte de cargas, especialmente grãos que seguem para o porto.

A mobilização é liderada pela Associação dos Municípios do Nordeste de Santa Catarina (Amunesc), a do Planalto Norte (Amplanorte) e a do Vale do Itapocu (Amvali), que juntas representam 26 municípios e cerca de 1,6 milhão de habitantes. Durante uma reunião com a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), os representantes destacaram a viabilidade de uma operação regional de passageiros, apontando que o trecho é considerado ativo.

As associações argumentam que a retomada do transporte ferroviário é uma medida urgente para diversificar os modais de transporte e oferecer uma alternativa sustentável e segura para os deslocamentos. O presidente da Amunesc, Caio Treml, ressalta que a iniciativa não apenas amplia as opções de mobilidade, mas também pode impulsionar parcerias público-privadas, promovendo o turismo e a economia local.

A ANTT, por sua vez, enfatizou que, devido à coexistência de cargas e passageiros na mesma linha, serão necessárias regras contratuais específicas para garantir a segurança de ambos os serviços. A agência também sugeriu que os municípios e empresas interessadas se unam para desenvolver estudos de demanda e modelagem financeira, considerando o momento decisivo que a região enfrenta.

A EF-485 faz parte da Malha Sul, cuja nova concessão está prevista para ser leiloada em 2027. Com as discussões sobre o futuro da ferrovia em andamento, os municípios estão determinados a garantir que o transporte de passageiros seja incluído nas tratativas, buscando um futuro mais integrado e sustentável para a mobilidade na região.

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