Na manhã desta sexta-feira (3), a Polícia Federal deflagrou a Operação Exchange, resultando na prisão de indivíduos sancionados pelo governo dos Estados Unidos devido a suas ligações com o Primeiro Comando da Capital (PCC). As prisões ocorreram em quatro cidades do estado de São Paulo, incluindo São Paulo, Santos, Praia Grande e Santana de Parnaíba. Além das prisões, a operação também resultou no bloqueio de R$ 10,4 bilhões que supostamente foram lavados pela facção.
Um dos indivíduos detidos é Stella Stefanie de Oliveira, identificada como secretária de Victor Henrique Shimada, empresário que, segundo as autoridades americanas, atua como um elo crucial entre membros do PCC na Flórida e traficantes internacionais. Shimada, que está foragido, é apontado como responsável por um esquema complexo de movimentação de recursos, incluindo transferências ilícitas de criptoativos e transporte de grandes quantias em dinheiro.
As investigações revelaram que os envolvidos utilizavam um sistema estruturado para movimentar recursos, com operações bancárias de alto valor e repasses entre pessoas físicas e jurídicas. A análise preliminar indicou movimentações superiores a R$ 10 bilhões, levantando preocupações sobre a extensão da lavagem de dinheiro.
A operação foi intensificada após o governo dos Estados Unidos sancionar, no mês passado, dois cidadãos brasileiros e três empresas por suspeitas de envolvimento com o PCC. Essas ações foram motivadas pela expansão do tráfico de drogas e contrabando de dinheiro para cartéis nos Estados Unidos, considerados uma ameaça significativa à segurança nacional americana.
O Departamento de Segurança Interna dos EUA já havia sinalizado que não hesitaria em agir contra o crime organizado brasileiro, especialmente após a designação das facções como organizações terroristas em junho. Recentemente, foi relatada a prisão de um ex-chefe do PCC na Carolina do Norte, destacando a cooperação entre as autoridades brasileiras e americanas.
As investigações apontam que os indivíduos sancionados teriam lavado mais de US$ 30 milhões em lucros ilícitos, utilizando criptomoedas para transferir fundos de volta ao Brasil em nome do PCC. Além disso, Victor Henrique Shimada é mencionado como envolvido em outros crimes financeiros, incluindo um esquema de fraude publicitária que resultou em sua prisão domiciliar em janeiro de 2025.
Stella Stefanie de Oliveira, por sua vez, é descrita como uma associada próxima de Shimada, atuando como intermediária na coleta de grandes quantias em dinheiro. As investigações revelaram que ambos contaram com o apoio de várias corporações para evitar a detecção dos fundos ilícitos gerados no exterior, incluindo empresas como Victory Trading e Pixwave Soluções de Pagamentos.
Como resultado das ações da Polícia Federal, todos os bens e interesses dos indivíduos sancionados que estejam nos Estados Unidos ou sob o controle de pessoas no país serão bloqueados, conforme as diretrizes do Departamento do Tesouro americano.



