Post: Torcedores gastam R$ 32,5 mil em viagem para a Copa, mas não conseguem entrar no estádio

Torcedores gastam R$ 32,5 mil em viagem para a Copa do Mundo, mas não conseguem entrar no estádio devido a cancelamentos de ingressos.
Torcedores gastam R$ 32,5 mil em viagem para a Copa, mas não conseguem entrar no estádio

Centenas de torcedores que viajaram para a Copa do Mundo de 2026 enfrentaram um pesadelo ao verem seus ingressos cancelados na última hora. Entre eles, Sergio Enrique Alvarado Montalvo, que desembolsou cerca de R$ 32,5 mil para levar sua família aos Estados Unidos, onde esperavam assistir a uma partida entre Argentina e Áustria. No entanto, um dia antes da viagem, a plataforma de revenda de ingressos StubHub informou que o vendedor não conseguiria entregar os bilhetes. Montalvo, que havia pago US$ 1.700 (aproximadamente R$ 9.200) pelos ingressos, ficou devastado. Ele havia planejado a viagem como uma surpresa para o pai, na esperança de vivenciar um Dia dos Pais inesquecível ao lado do jogador argentino Lionel Messi. Ao invés disso, a família se viu fora do estádio, mesmo após tentativas de resolver a situação com o StubHub até momentos antes do início da partida. “Fiquei muito triste e frustrado. Foi uma mistura de sentimentos difícil de explicar”, relatou Montalvo em entrevista. A situação de Montalvo não é isolada. Especialistas apontam que a Copa do Mundo de 2026 está enfrentando uma das maiores crises na venda de ingressos, com muitos torcedores tendo seus sonhos frustrados por cancelamentos de última hora. O fenômeno, conhecido como “speculative ticketing” (venda especulativa de ingressos), ocorre quando vendedores sem ingressos garantidos oferecem bilhetes que ainda não possuem, na expectativa de comprá-los a preços mais baixos antes do evento. Quando os preços sobem, esses vendedores cancelam as vendas iniciais para revender os ingressos por valores mais altos, deixando os compradores apenas com reembolsos que não cobrem os altos gastos de viagem e hospedagem. Outro torcedor, Eben Pingree, também passou por uma experiência similar. Ele e sua esposa pagaram US$ 2.800 (cerca de R$ 15,2 mil) por ingressos para a partida entre Escócia e Haiti, planejando uma viagem especial com seu filho de 11 anos. No entanto, os ingressos não foram entregues, e Pingree descreveu a situação como devastadora para seu filho. De volta a Dallas, Montalvo e sua família acabaram passando a noite em um festival local para torcedores, em vez de assistirem à partida. “Foi um fim de semana muito triste, mas tentamos aproveitar o tempo juntos”, disse. A crise levou a ações judiciais contra o StubHub, com torcedores buscando o status de ação coletiva. Julie Reeker Moghal e Reuben Renteria, que pagaram ao menos US$ 1.900 (aproximadamente R$ 10,3 mil) cada um, alegam que foram enganados ao comprar ingressos que nunca foram entregues. A plataforma de revenda não se manifestou sobre o caso, enquanto a FIFA também não comentou diretamente a ação judicial. A disputa entre as empresas se intensificou, com o StubHub atribuindo a responsabilidade à FIFA, alegando que problemas técnicos no novo aplicativo de ingressos da entidade afetaram as transferências. Por outro lado, a FIFA reafirmou que sua plataforma é o único canal de venda garantido e que não pode assegurar a validade de ingressos comprados em sites de revenda. Especialistas, no entanto, afirmam que a responsabilidade não pode ser atribuída apenas a falhas de software. Scott Friedman, cofundador da Ticket Talk Network, declarou: “A culpa é 100% do StubHub”. A situação ressalta a fragilidade do sistema de revenda de ingressos e a necessidade de proteção ao consumidor em eventos de grande escala como a Copa do Mundo.

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