A recente sequência de terremotos na Venezuela, que atingiu magnitudes de 7,2 e 7,5, trouxe à tona uma questão crucial: quanto tempo uma pessoa pode sobreviver sob os escombros? Especialistas afirmam que essa resposta depende de diversos fatores, incluindo a posição da vítima, o acesso a ar e água, as condições climáticas e o estado físico geral da pessoa.
Após desastres, as operações de resgate costumam ser mais eficazes nas primeiras 24 horas, mas há relatos de sobreviventes resgatados dias após o colapso. As Nações Unidas, geralmente, encerram as buscas entre cinco e sete dias após a catástrofe, especialmente quando não há sinais de vida por um ou dois dias consecutivos.
Um dos fatores mais importantes para a sobrevivência é a posição em que a vítima se encontra após o desabamento. Estar em um local protegido pode minimizar os ferimentos e aumentar a probabilidade de acesso ao ar. Murat Harun Ongoren, coordenador da Akut, a maior organização de busca e resgate da Turquia, destaca a importância de adotar a posição de “abaixar-se, proteger-se e segurar-se” durante os tremores. Essa postura pode criar um espaço de ar que aumenta as chances de sobrevivência.
A preparação e a conscientização sobre medidas de emergência são fundamentais. Segundo a médica Jetri Regmi, da Organização Mundial da Saúde (OMS), abrigar-se em locais seguros, como sob mesas, é crucial para aumentar as chances de sobrevivência. No entanto, cada emergência é única, e a eficácia das operações de resgate depende da preparação das comunidades locais.
O acesso a ar e água é vital. A falta de oxigênio e a desidratação são desafios significativos. Adultos podem perder até 1,2 litro de água por dia, e a sobrevivência sem água pode variar de três a sete dias. Lesões graves, como traumatismos cranianos, podem reduzir drasticamente as chances de sobrevivência, especialmente se a vítima estiver em um espaço confinado com pouco ar.
Além disso, a síndrome do esmagamento é uma preocupação real. Essa condição ocorre quando os músculos são danificados pela pressão dos escombros, liberando toxinas que podem ser fatais após a remoção dos escombros. O clima também desempenha um papel importante; condições extremas, como o frio intenso, podem agravar a situação, como observado nos terremotos que atingiram a Turquia em fevereiro de 2023.
Em resumo, a sobrevivência sob escombros após um terremoto é uma questão complexa e multifatorial. A posição da vítima, o acesso a ar e água, as condições climáticas e o estado físico são determinantes cruciais que influenciam o tempo que uma pessoa pode resistir antes de ser resgatada.




