A Lituânia confirmou nesta quinta-feira (2) que irá remover o veto constitucional que proibia a presença de armas nucleares em seu território, uma política que esteve em vigor desde o fim da União Soviética, em 1991. O presidente Gitanas Nauseda anunciou que a medida será implementada até o final do ano, em consonância com a proposta do novo primeiro-ministro, Mindaugas Sinkevicius, que tomou posse na última terça-feira (30).
Nauseda destacou que a atual situação geopolítica exige uma reavaliação das políticas de defesa do país. “A situação geopolítica está piorando. Nossa Constituição foi escrita quando ela era totalmente diferente [em 1992]”, afirmou o presidente, enfatizando que, por enquanto, não há planos para a instalação de armamentos da Otan em solo lituano.
A Lituânia se junta à Finlândia, que recentemente também derrubou um veto semelhante, encerrando uma restrição que vigorava desde 1987. A mudança de postura de ambos os países reflete um novo entendimento sobre a segurança na região, especialmente após a invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022. A Polônia, outro membro da Otan, já havia manifestado interesse em receber armas nucleares americanas em seu território como forma de conter a ameaça russa, especialmente após a instalação de ogivas táticas na Belarus, aliada de Moscou.
A alteração na política de defesa da Lituânia e de outros países do flanco leste da Otan marca o fim de décadas de um tabu que impedia a presença de forças nucleares ofensivas nas fronteiras da Rússia. Após o colapso do império comunista, havia um entendimento tácito de que essas nações não deveriam abrigar armamentos nucleares, uma visão que agora está sendo reconsiderada diante das novas ameaças percebidas na região.
Historicamente, a Finlândia manteve uma postura neutra desde a Segunda Guerra Mundial, quando perdeu 10% de seu território para a Rússia. A Lituânia, por sua vez, fez parte da União Soviética e abrigou bases de mísseis durante a Guerra Fria. A Polônia, que também era um satélite comunista, agora se vê em uma nova realidade, onde a segurança se tornou uma prioridade diante das ações agressivas da Rússia.
A invasão da Ucrânia em 2022 alterou a percepção de segurança na Europa, levando Helsinque a se juntar à Otan no ano seguinte, seguida por Estocolmo, que também abandonou 200 anos de neutralidade. A situação atual reaviva lembranças do desmantelamento do arsenal nuclear da Ucrânia nos anos 1990, quando o país devolveu a Moscou o terceiro maior arsenal nuclear do mundo em troca do reconhecimento de suas fronteiras. Muitos analistas acreditam que, se a Ucrânia tivesse mantido essas armas, o conflito atual poderia ter sido evitado.
Enquanto isso, a Lituânia e seus vizinhos buscam garantir sua segurança em um cenário cada vez mais instável, refletindo uma mudança significativa nas dinâmicas de defesa e alianças na Europa.




