A fila de espera pela perícia médica do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) encerrou o mês de junho com 391,4 mil agendamentos, marcando o menor patamar em cerca de três anos. Essa redução representa uma queda de 58,8% em relação a agosto de 2023, quando o número de pessoas aguardando o exame era de 949,3 mil, e de 68,2% em comparação a novembro de 2025, quando a fila atingiu o pico de 1,230 milhão de segurados.
A perícia é um passo necessário para segurados que solicitam benefícios por incapacidade, como auxílio-doença, aposentadoria por invalidez ou BPC (Benefício de Prestação Continuada) para pessoas com deficiência. Desde 2020, o INSS implementou o Atestmed, um sistema que permite a concessão de benefícios sem a necessidade de exame médico, facilitando o acesso à renda para muitos segurados.
O Ministério da Previdência Social atribui a queda na fila a uma série de medidas, incluindo a contratação de 500 novos peritos, a realização de mutirões de atendimento, o pagamento de bônus por produtividade e a expansão do Atestmed, que agora conta com a análise de peritos sobre a condição de saúde do segurado.
Além disso, o tempo de espera para a concessão dos benefícios também apresentou uma significativa redução, passando de 71 dias em agosto de 2023 para 30 dias em junho. A expectativa é que, ao final de julho, a média nacional de espera fique em torno de 25 dias, embora em algumas localidades esse prazo possa ser maior.
A diminuição da fila do INSS se tornou uma das principais prioridades do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que busca reeleição e prometeu zerar a espera dos segurados antes do pleito. O INSS também celebra a redução dos requerimentos iniciais, que chegaram a 1,9 milhão de pedidos em junho.
Álvaro Fagundes, diretor do departamento de perícia médica federal da Previdência, afirmou que a diminuição da fila e do tempo de espera é a meta principal do departamento desde 2023, especialmente após o início do pagamento de bônus por produtividade, visando evitar que os segurados tenham que lidar com valores atrasados.
“O benefício por incapacidade temporária, anteriormente conhecido como auxílio-doença, serve como uma substituição de renda enquanto o trabalhador está afastado. Chegamos a ter tempos de espera de até 150 dias. O segurado recebe o valor desde o agendamento da perícia, mas não estávamos efetivamente substituindo a renda, apenas compensando”, explicou Fagundes em entrevista à Folha.
Ele ainda destacou que o Atestmed foi fundamental para essa redução e que o benefício tem passado por melhorias desde 2020. A última alteração significativa foi implementada para otimizar ainda mais o processo de concessão de benefícios, refletindo o compromisso do governo em atender de forma mais ágil e eficiente os segurados do INSS.




