Post: Polícia da Venezuela prende agentes acusados de roubo durante operações de resgate

Agentes da polícia venezuelana foram presos e expulsos por roubo durante operações de resgate após terremotos devastadores no país.
Polícia da Venezuela prende agentes acusados de roubo durante operações de resgate

Quatro agentes do Corpo de Pesquisas Científicas, Penais e Criminalísticas (CICPC), a polícia investigativa da Venezuela, foram detidos e expulsos da corporação após serem acusados de roubar bens de valor encontrados nos escombros de prédios destruídos por terremotos que atingiram o país na semana passada. A denúncia foi feita em um comunicado oficial divulgado nas redes sociais do CICPC, onde a instituição afirmou que os policiais se aproveitaram das operações de busca e resgate para se apropriar de objetos e dinheiro encontrados entre os destroços. Essa conduta, segundo a nota, compromete o “prestígio da instituição e o respeito devido à população”.

O comunicado destaca que todos os agentes envolvidos foram afastados de seus cargos de forma permanente e irrevogável, além de terem sido instaurados processos disciplinares para a imediata demissão. O caso ocorreu enquanto equipes de resgate buscavam sobreviventes e recuperavam corpos na região costeira de La Guaira, uma das áreas mais afetadas pelos sismos, conforme relatado pelo jornal venezuelano El Nacional.

A indignação da população foi imediata. Vídeos que circulam nas redes sociais mostram moradores confrontando os agentes. Em uma das gravações, uma mulher aparece chorando e rasgando cédulas de dinheiro que teriam sido encontradas com um dos policiais, enquanto pessoas ao redor o chamam de “vergonha”. A situação reflete a profunda frustração da comunidade diante de abusos em momentos de crise.

O ministro do Interior venezuelano, Diosdado Cabello, também se manifestou sobre o caso em seu canal no Telegram. Ele descreveu os atos dos agentes como “impudicos, indecentes e imorais”, prometendo que eles serão julgados. “Seremos totalmente intolerantes com aqueles que, fazendo uso de seu uniforme, cometam atos contra a moral e os bons costumes. Seremos ainda mais rigorosos quando, em meio a uma tragédia como esta, houver pessoas que tentem se aproveitar da dor alheia e dos bens de outras pessoas”, afirmou Cabello.

O impacto dos terremotos na Venezuela tem sido devastador. Segundo o balanço oficial mais recente, divulgado nesta quarta-feira (1º), os tremores resultaram na morte de ao menos 2.295 pessoas, com mais de 11 mil feridos e outras 12.841 desalojadas, conforme informado pelas autoridades do regime. As estatísticas podem piorar, já que as Nações Unidas estimam que até 50 mil pessoas possam estar desaparecidas, o que indica que o número de vítimas deve aumentar à medida que as equipes de resgate avançam nas operações em edifícios em ruínas. Na segunda-feira (29), o coordenador humanitário da ONU na Venezuela anunciou que o órgão estava adquirindo 10 mil sacos para armazenamento de cadáveres, evidenciando a gravidade da situação.

Além disso, parte da população venezuelana critica a resposta do governo, considerada lenta e insuficiente. Na terça-feira, a ONG International Rescue Committee, que atua na região, expressou preocupações sobre a eficácia das operações de socorro e a necessidade urgente de assistência humanitária. A situação continua a evoluir, e a indignação pública em relação aos abusos cometidos por agentes de segurança durante uma crise humanitária ressalta a urgência de uma resposta mais eficaz e ética por parte das autoridades.

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