Luís Eulálio de Bueno Vidigal Filho, um dos nomes mais influentes da indústria brasileira, faleceu nesta segunda-feira (29) aos 87 anos, em decorrência de complicações relacionadas à insuficiência renal. O empresário e advogado se destacou ao presidir a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) entre 1980 e 1986, período marcado pela transição política do Brasil, que culminou no fim da ditadura militar e no fortalecimento dos sindicatos.
Nascido em 26 de março de 1939, Luís Eulálio formou-se em direito pela Universidade de São Paulo (USP) em 1963 e, dois anos depois, concluiu uma pós-graduação em administração na Universidade de Illinois, nos Estados Unidos. Sua carreira no setor empresarial começou a ganhar destaque quando atuou como representante do setor automotivo no grupo Geia, criado pelo Ministério da Indústria entre 1969 e 1972.
Em 1980, Luís Eulálio desafiou o então presidente da Fiesp, Theobaldo de Nigris, e conquistou a liderança da entidade, onde permaneceu até 1986. Durante sua gestão, ele se destacou por sua habilidade de articulação e pela defesa dos interesses do setor industrial em um momento crítico da história do Brasil.
Além da Fiesp, Luís Eulálio ocupou diversos cargos significativos no setor patronal, incluindo a Confederação Nacional da Indústria (CNI), onde foi primeiro vice-presidente. Ele também teve uma passagem pelo setor público, atuando no Conselho Monetário Nacional (CMN) e no Conselho Estadual do Meio Ambiente de São Paulo.
Reconhecido por sua contribuição ao setor industrial, em 2008, ele recebeu o título de presidente emérito da Fiesp e era patrono da Escola Senai de Suzano. Entre 1993 e 2021, integrou o Conselho Regional do Sesi-SP por 14 mandatos consecutivos.
A Fiesp lamentou a perda de Luís Eulálio, descrevendo-o como uma das lideranças mais visionárias da história da indústria brasileira. O atual presidente da entidade, Paulo Skaf, expressou suas condolências à família e amigos, ressaltando que o legado de Luís Eulálio continuará a inspirar futuras gerações de empreendedores.
O empresário estava internado no Hospital Sírio-Libanês, onde tratava uma doença renal crônica. O velório será realizado nesta terça-feira (30), no cemitério Parque Morumbi, em São Paulo. Sua partida deixa um vazio significativo no cenário industrial brasileiro, onde sua influência e liderança foram fundamentais para o desenvolvimento do setor.



