A Crimeia, península anexada pela Rússia em 2014, declarou estado de emergência nesta sexta-feira (26) em resposta a uma série de ataques das forças ucranianas. O governador local, Serguei Aksionov, anunciou a suspensão de todas as atividades relacionadas ao turismo e à venda de combustível, medidas que impactam diretamente a economia local, especialmente no início da temporada de verão, que é a principal fonte de renda da região, que abriga cerca de 2,4 milhões de habitantes.
Recentemente, a cidade de Sebastopol, a maior da Crimeia, implementou um toque de recolher às 20h, restringindo o comércio, além de suspender os serviços de transporte noturnos e reduzir a iluminação pública para dificultar as operações de drones ucranianos. Olga, uma moradora de Sebastopol, expressou sua preocupação em mensagem de texto, destacando a dificuldade que a situação impõe à sua renda, proveniente do aluguel de uma casa de veraneio na costa, perto de Ialta.
Desde a anexação, as tensões entre Rússia e Ucrânia aumentaram, culminando na invasão total da Ucrânia pelas forças russas em 2022. O governo ucraniano, liderado por Volodimir Zelenski, intensificou suas operações contra a Rússia, focando em alvos estratégicos como o sistema energético russo, o que resultou em uma crise de combustíveis em várias regiões.
Em resposta à escassez de gasolina, o Kremlin considera medidas como a proibição da exportação de diesel, o que poderia afetar países como o Brasil. A popularidade de Putin, que se mantém em torno de 80%, começa a mostrar sinais de declínio, e há um crescente temor entre os aliados do Kremlin sobre a possibilidade de uma escalada do conflito, incluindo o uso de armas nucleares de menor potência contra a Ucrânia.
As Forças Armadas da Ucrânia e a diplomacia da União Europeia estão atentas a uma possível nova ofensiva russa a partir do norte, com a possibilidade de ataques vindos de Belarus, além de provocações contra o flanco oriental da OTAN, conforme previsto pelo premiê polonês, Donald Tusk. A situação na Crimeia, portanto, se torna um reflexo das tensões geopolíticas em um cenário de guerra que continua a se intensificar.



