Post: Seguradoras se preparam para impactos do El Niño e aumento de indenizações

seguro - Seguradoras se preparam para os impactos do El Niño e aumento nas indenizações, com foco em chuvas e secas.
Seguradoras se preparam para impactos do El Niño e aumento de indenizações

A chegada do El Niño já faz com que as seguradoras recalculam os impactos do fenômeno e se preparem para um pico de indenizações. O setor residencial antecipa um aumento de prejuízos relacionados a chuvas, enquanto a seca deve intensificar os acionamentos de apólices rurais. O El Niño, caracterizado pelo aquecimento das águas do oceano Pacífico, altera o clima global. A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos confirmou o início do fenômeno no dia 11, com uma previsão de 63% de chance de alcançar um nível muito forte entre novembro e janeiro. Esse aumento nas temperaturas globais tende a potencializar seus efeitos. “Tudo indica que os maiores impactos nas carteiras de seguro residencial e patrimonial, como empresas e condomínios, ocorrerão na primavera, especialmente a partir de setembro e outubro”, afirma Jarbas Medeiros, presidente da comissão de riscos patrimoniais massificados da FenSeg (Federação Nacional de Seguros Gerais). O cálculo dos prejuízos varia conforme as características de cada seguradora e a preparação das cidades afetadas. No entanto, há um consenso no setor de que os danos mais significativos ocorrerão no Sul, onde chuvas intensas podem se tornar mais frequentes. No Norte e Centro-Oeste, o El Niño deve trazer mais seca, aumentando o risco de quebras de safra no agronegócio. “Estamos cientes de que eventos catastróficos podem ocorrer em algumas regiões. As seguradoras já estão monitorando essa situação de perto e preparando suas estruturas, formando uma força-tarefa para atender os clientes em eventos extremos”, complementa Medeiros. A última estimativa da FenSeg, de 2021, indicou que menos de 1% das residências do país possuíam cobertura contra danos causados por alagamentos. Embora dados mais recentes mostrem um aumento na procura por essa proteção, especialmente após o desastre no Rio Grande do Sul em 2024, os números ainda são baixos. Sain’t Clair Lima, diretor de produtos da Bradesco Seguros, revela que apenas de 4% a 6% das apólices residenciais da empresa cobrem inundações, com variações regionais: no Sul, essa cobertura é de 6% a 7%. “Se as previsões se confirmarem, devemos observar um aumento de pelo menos dois dígitos na frequência de sinistros”, afirma Lima. Os sinistros referem-se aos casos em que clientes sofrem danos e acionam a seguradora para receber indenização. Medeiros, que também atua como diretor de ramos elementares e vida na Porto Seguro, destaca que apenas 3% das apólices residenciais da empresa incluem cobertura para inundações. Em contrapartida, a proteção para vendavais alcança 50% e para danos elétricos, 80%. Atualmente, dez seguradoras oferecem proteção contra alagamentos no Brasil, um aumento significativo em relação às três disponíveis durante o desastre gaúcho.

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