A cidade de Campina Grande, na Paraíba, é reconhecida como um dos principais polos dos festejos de São João no Brasil. Ao longo de sua rica história, a cidade já abrigou mais de 400 grupos de quadrilhas juninas, embora atualmente o número tenha diminuído para cerca de 14. Essa informação é um dos destaques da pesquisa “As Quadrilhas Juninas do Brasil”, realizada pela Quaest em parceria com o YouTube, que oferece um diagnóstico inédito sobre o ecossistema das quadrilhas juninas no país, com um foco especial na realidade do arraial campinense.
quadrilhas: cenário e impactos
Entre os dias 8 e 21 de maio deste ano, a pesquisa entrevistou quadrilheiros, quadrilheiras, dirigentes, lideranças, brincantes e outros envolvidos na manifestação cultural, tanto presencialmente quanto virtualmente. O objetivo era traçar uma radiografia em cinco áreas específicas: organização e gestão, modos de financiamento, intersecções sociais, plataformas digitais e estratégias de valorização.
Os resultados revelam que, além de serem grupos de dança que simbolizam a tradição cultural presente em todos os estados do Brasil, as quadrilhas juninas são impulsionadas pelo protagonismo feminino, pelo acolhimento à diversidade e pelo impacto positivo na juventude das periferias. Das 14 quadrilhas ativas em Campina Grande, seis são presididas por mulheres, que desempenham papéis fundamentais na estrutura financeira, administrativa e artística do movimento junino. Essas lideranças femininas se destacam como fundadoras, coreógrafas e gestoras, além de serem responsáveis pela produção cultural e confecção de figurinos.
Além disso, as quadrilhas funcionam como redes de acolhimento e proteção, promovendo o protagonismo da comunidade LGBTQIAPN+. Elas exercem funções criativas, como direção, maquiagem e coreografia, e têm contribuído para avanços sociais significativos, como a inclusão de damas trans e a figura da rainha da diversidade.
A pesquisa também destaca que o pertencimento social é ampliado quando as quadrilhas são reconhecidas pelos brincantes e pela comunidade como espaços de convivência, disciplina e afirmação de identidade. Essas agremiações mobilizam principalmente jovens de bairros periféricos e de baixa renda, oferecendo um espaço seguro e acolhedor.
Os membros das quadrilhas vivenciam o São João durante praticamente todo o ano. Após o ciclo de apresentações que se inicia em maio e se estende até julho, a preparação para a próxima temporada começa entre agosto e outubro. Além desses seis meses de festividades, outros períodos são dedicados a ensaios e confecção de figurinos e adereços. Esse ciclo contínuo envolve de 100 a 300 pessoas por grupo, transformando a tradição em uma verdadeira indústria criativa que opera durante praticamente todo o ano.
Entretanto, apesar dos benefícios econômicos e sociais que as quadrilhas proporcionam, a pesquisa também aponta os desafios enfrentados por essas agremiações. O obstáculo orçamentário é significativo, com a falta de verbas estáveis levando muitas quadrilhas a depender de rifas comunitárias para a confecção de figurinos. Os repasses públicos costumam chegar com atraso, e as premiações frequentemente não cobrem os custos, fazendo com que muitas lideranças terminem a temporada junina com dívidas pessoais.
O levantamento completo pode ser acessado no site quaest.com.br.




