Post: Governo estuda oferecer canetas emagrecedoras pelo SUS como parte da ‘Bolsa Ozempic’

Governo estuda oferecer canetas emagrecedoras pelo SUS, visando subsidiar acesso a medicamentos para obesidade.
Governo estuda oferecer canetas emagrecedoras pelo SUS como parte da 'Bolsa Ozempic'

O Ministério da Saúde está avaliando a possibilidade de disponibilizar canetas emagrecedoras pelo Sistema Único de Saúde (SUS), em uma iniciativa que vem sendo chamada de “Bolsa Ozempic”. O objetivo é subsidiar o acesso a medicamentos de alto custo, utilizados no tratamento da obesidade. Em entrevista ao jornal O Globo, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, destacou que os preços atuais dos medicamentos são considerados “abusivos”. Para implementar essa proposta em larga escala, o governo busca criar condições que tornem esses medicamentos mais acessíveis e viáveis dentro do SUS.

Padilha enfatizou que a estratégia inclui a produção nacional e o domínio da tecnologia necessária para a fabricação das canetas emagrecedoras. “Queremos que laboratórios públicos e empresas nacionais dominem essa tecnologia. Quanto mais empresas produzindo aqui, mais medicamentos como esses registrados, mais baixo o preço. A gente consegue derrubar os preços que são abusivos com uma concorrência maior”, afirmou o ministro.

A discussão sobre a inclusão desses medicamentos no SUS envolve substâncias como a semaglutida, que é o princípio ativo dos remédios Ozempic e Wegovy, utilizados tanto para o tratamento do diabetes tipo 2 quanto da obesidade. A Anvisa, agência reguladora do setor, já priorizou a análise dos pedidos de registro desses produtos no Brasil, o que pode facilitar sua inclusão no sistema público.

Entretanto, a oferta desses medicamentos pelo SUS estará sujeita a critérios médicos e à avaliação da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec). Em 2025, a Conitec já havia rejeitado a inclusão da semaglutida e da liraglutida na rede pública, citando o elevado custo como um dos principais motivos. Naquela ocasião, a estimativa era de que o gasto poderia chegar a até R$ 7 bilhões em cinco anos, apenas para atender determinados grupos de pacientes.

A Anvisa aprovou em maio de 2026 o registro da Ozivy, a primeira caneta de semaglutida sintética análoga ao Ozempic para diabetes. Essa aprovação é vista como um passo importante para ampliar a produção nacional e, potencialmente, reduzir os preços no futuro.

Apesar das movimentações, especialistas e autoridades permanecem cautelosos em relação à incorporação desses medicamentos ao SUS. O uso da semaglutida exige acompanhamento médico rigoroso, definição clara de quem pode receber o tratamento e uma avaliação cuidadosa da segurança do uso dessas substâncias. A semaglutida é indicada para diabetes tipo 2 e, em formulações específicas, para obesidade ou sobrepeso associado a comorbidades, sempre com prescrição e acompanhamento profissional.

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