Em uma noite marcada pela emoção e união, a comunidade haitiana no bairro do Glicério, em São Paulo, se reuniu para assistir ao jogo entre Brasil e Haiti, nesta sexta-feira (19). O evento, realizado na sede da Missão Paz, atraiu cerca de 200 pessoas, incluindo haitianos e brasileiros voluntários, que celebravam a segunda participação da seleção haitiana na Copa do Mundo. A primeira vez foi em 1974, na Alemanha Ocidental, onde o Haiti não conseguiu vencer nenhuma partida.
Antes do apito inicial, o clima era de esperança. Jefferson Casmir, ator e DJ, expressou sua torcida pelo Haiti, prevendo uma vitória de 2 a 1. No entanto, a realidade do jogo foi diferente, com o Brasil vencendo por 3 a 0. Após o apito final, a comunidade se dividiu entre desapontamento e resignação, enquanto alguns ainda mantinham a esperança de uma classificação como terceiro colocado no grupo.
A próxima partida do Haiti será contra o Marrocos, no dia 24, em Atlanta, mas as chances de avançar na competição são mínimas. “Não tem o que fazer, vou torcer pela Argentina a partir de agora. Eu amo o Brasil, mas o Brasil me fez chorar hoje”, disse Jefferson, refletindo o sentimento de muitos presentes.
Durante o intervalo, a conversa entre Jefferson e seus irmãos, que vivem nos Estados Unidos e torciam pelo Brasil, trouxe à tona a rivalidade entre as torcidas haitiana e brasileira. Gregory Jean-Pierre, vendedor de 26 anos, comentou sobre essa divisão: “No Haiti, existem dois grupos: um que torce pela Argentina e outro pelo Brasil. Depois que a Argentina ganhou a Copa, ficou difícil para nós”.
Daphlyne Mondelice, de 21 anos, se juntou à torcida brasileira, afirmando que, apesar da derrota, continuará apoiando o Brasil. O encontro na Missão Paz proporcionou um espaço de acolhimento e celebração, mesmo diante da adversidade. A pressão durante o jogo fez com que alguns torcedores se sentissem tentados a sair, mas a camaradagem e a esperança de um futuro melhor mantiveram a maioria no local até o fim da partida. O evento foi um testemunho da resiliência e união da comunidade haitiana, que, mesmo em tempos difíceis, se reúne para celebrar a cultura e a paixão pelo futebol.
A Copa do Mundo 2026 continua a ser um momento de reflexão e esperança para muitos imigrantes, que veem no esporte uma oportunidade de se conectar com suas raízes e com a nova cultura que os acolhe. A comunidade haitiana, embora desapontada com a derrota, demonstra que o amor pelo futebol e a solidariedade entre os povos permanecem fortes.




