Mensagens apreendidas pela Polícia Federal e divulgadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na última terça-feira (16) revelam que Daniel Vorcaro, ex-banqueiro, organizou uma estrutura para transportar e hospedar mulheres durante eventos que promoveu no Brasil e no exterior. Em uma conversa datada de 23 de abril de 2024, Vorcaro, identificado nas mensagens como DV, solicita a um assistente: “Preciso de um avião para as kengas”. Essa conversa ocorreu em um período próximo a uma viagem que ele fez a Nova York com o político Ciro Nogueira (PP-PI), conforme noticiado anteriormente pela Folha. O empresário arcou com os custos de uma Suíte Royal no hotel Park Hyatt, totalizando cerca de US$ 47,8 mil.
A defesa de Vorcaro não se manifestou sobre as acusações, enquanto Ciro Nogueira não respondeu aos contatos da reportagem. Em um diálogo sobre a logística da viagem, um assistente questiona se as mulheres que acompanhariam Nogueira deveriam ser acomodadas em quartos individuais ou compartilhados. “Dani, as meninas do Diogo são as únicas? Coloca cada uma num quarto sozinha ou coloca duas por quarto?”, indaga o assistente. Dias depois, ele reclama por não ter recebido uma resposta sobre a questão, afirmando que decidiu colocar uma mulher por quarto para garantir mais privacidade, caso alguém quisesse aproveitar a festa.
De acordo com a investigação da Polícia Federal, os diálogos demonstram como Vorcaro utilizava aeronaves particulares registradas em seu nome para atender a pedidos de convidados e organizar deslocamentos, cujos custos eram cobertos por ele. O ex-banqueiro patrocinou viagens internacionais, hospedagens em hotéis luxuosos e jantares para membros da elite política, além de ter investido em festas com a presença de autoridades e modelos, tanto brasileiras quanto estrangeiras. As mensagens agora revelam que a logística das convidadas era tratada de forma semelhante, reforçando a conexão entre o empresário e as práticas de acomodação e transporte de mulheres em suas atividades sociais e profissionais.

