Post: Empresas de transporte marítimo adotam cautela antes de retornar ao estreito de Hormuz

Empresas de transporte marítimo estão cautelosas quanto ao retorno ao estreito de Hormuz, aguardando garantias de segurança após o acordo EUA-Irã.
Empresas de transporte marítimo adotam cautela antes de retornar ao estreito de Hormuz

As empresas de transporte marítimo estão adotando uma postura cautelosa em relação ao retorno ao estreito de Hormuz, uma das principais rotas de navegação do mundo, onde cerca de 20% da produção global de petróleo e gás é transportada. Jotaro Tamura, presidente-executivo da Mitsui OSK Lines, a maior operadora de navios-tanque do mundo, afirmou que as companhias esperam semanas ou até meses antes de retomar as travessias, mesmo após um recente acordo entre os Estados Unidos e o Irã. Tamura destacou que, apesar das promessas de reabertura, a confiança das empresas de navegação ainda está abalada. Ele enfatizou que o acordo deve ser mais do que uma simples declaração, precisando ser concretizado em ações reais na região para que as companhias se sintam seguras para operar. Desde o início do conflito em fevereiro, a navegação pelo estreito foi drasticamente reduzida, levando a um aumento na cautela entre os armadores. O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que existe uma rota “segura, protegida e impecável” através do estreito, que permanece quase completamente fechado desde o início da guerra. Embora o preço do petróleo Brent tenha caído após o anúncio do acordo, Tamura acredita que o tráfego não voltará ao normal de imediato. Ele mencionou que as experiências recentes levaram a um sentimento de desconfiança, e que a reabertura da hidrovia pode levar pelo menos algumas semanas. Além disso, a Organização Marítima Internacional (OMI) está avaliando a viabilidade de um corredor seguro para as embarcações que estão presas no golfo Pérsico há mais de 100 dias. Arsenio Dominguez, secretário-geral da OMI, afirmou que a organização está trabalhando para garantir que o comércio possa ser realizado de forma segura, evitando perigos como minas e congestionamentos que poderiam causar acidentes. Enquanto isso, a Hapag-Lloyd, uma das maiores linhas de transporte de contêineres, considerou o acordo de paz como um sinal encorajador, esperando que suas embarcações possam finalmente deixar o estreito. No entanto, Philip Belcher, diretor marítimo da associação Intertanko, alertou que uma abordagem cautelosa deve ser adotada, com cada embarcação realizando sua própria avaliação de risco antes de zarpar. Antes do início da guerra, cerca de 135 navios passavam pelo estreito diariamente, mas esse número caiu drasticamente. Algumas embarcações tentaram escapar do golfo Pérsico nas últimas semanas, navegando sob a escuridão e desligando o GPS. Apesar da situação tensa, algumas empresas, como a grega Dynacom, continuaram a operar durante o impasse, enquanto outras esperam um retorno rápido ao comércio normal. Tamura, que assumiu a presidência da Mitsui em abril, se opõe às tentativas do Irã de cobrar taxas pela passagem pelo estreito, argumentando que isso violaria regulamentos internacionais de navegação. A empresa conseguiu retirar quatro embarcações do Golfo antes do acordo, sem pagar taxas ao Irã, e ainda tem pelo menos sete navios aguardando para transitar. A primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, indicou que essas operações foram resultado de esforços diplomáticos, com a ajuda de países como Omã e Índia, que mantêm laços com as embarcações. Tamura destacou que a diplomacia foi crucial para garantir a passagem segura das embarcações. As ações da Mitsui subiram 20% em Tóquio este ano, avaliando a empresa em cerca de 2,1 trilhões de ienes (R$ 67 bilhões), enquanto investidores exigem mudanças para aumentar os retornos. A situação no estreito de Hormuz continua a ser um ponto crítico para o comércio marítimo global, e a cautela das empresas reflete as incertezas políticas e de segurança na região.

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